segunda-feira, outubro 23, 2006

Humildade em se ser monárquico


A ideia de que é necessário ser-se humilde para aceitar que uma família seja privilegiada em relação a todas as outras, surgiu-me nestes últimos dias. O certo é que não tem abandonado o meu pensamento, como se cada vez fizesse mais sentido. Não será uma atitude arrogante de quem diz: "Mas por que é que a família Bragança haveria de reinar e assumir a chefia do Estado de Portugal? Serão eles mais do que a minha família? Por supostamente terem sangue azul? Segundo me consta, actualmente já está provado cientificamente que não existe sangue azul. Existem, sim, os grupos sanguíneos. Ou seja, o Rh+, blá, blá, blá..."

Como se sabe, somos um povo que, por algum motivo, criou um certo complexo de inferioridade em relação aos outros. Esses "outros" podem ser membros da mesma família, o vizinho do 2º esquerdo, o colega de trabalho, os espanhóis ou os franceses. Não temos o hábito de ficar contentes quando alguém é promovido, ganha uma fortuna no Euromilhões, ou compra um BMW último modelo... Há sempre uma certa inveja, o: "Porquê ele e não eu?" Quantos de nós já não ouvimos frases do género: "Na França/ Estados Unidos/ Luxemburgo (etc.) é que é, há condições para se viver decentemente!"; "Teria sido bastante melhor se não tivessemos deixado de pertencer à Espanha..." - Perante tão aberrantes afirmações, conclui-se que a nossa auto-estima não é das melhores, colocando em questão o patriotismo de muitos portugueses. De qualquer modo, pouco se faz, ou nada, para que a situação se altere. Os anti-depressivos contunuam a vender-se mais que castanhas quentes (lá se vai o tempo...), os queixumes continuam, mas os actos que alterem a presente situação continuam pelos vistos em "fase de apreciação"... E como somos um país burocrático aguardamos, concerteza, por algum despacho, que tarda em chegar, para reivindicarmos uma melhoria das condições de vida... Ouvi dizer que os ordenados dos ministros vão subir 6,1 por cento, enquanto que os restantes funcionários públicos têm um aumento de 1,5 por cento... É bom constatar que o exemplo vem de cima, que em República somos todos iguais perante a Lei... Que não há classes privilegiadas em Portugal, pois tudo isso acabou com o regime monárquico!

Considero a questão dos privilégios da Família Real bastante discutíveis, pois, como sabemos, toda a sua vida privada torna-se pública. Quantos de nós gostaríamos que isso acontecesse?

Nem sempre fui monárquico, tive uma educação republicana, mas sempre questionei o que tinha acontecido aos nossos Reis. Mais tarde descobri que foram assassinados e que afinal ainda existem membros da família Real vivos.

Gostaria que Portugal deixasse de ser um Estado onde todos passam (e aumentam a sua riqueza pessoal) e ninguém fica... Gostaria que o maior cargo da Nação não fosse disputado como uma votação de um reality show... Gostaria que os portugueses fossem mais humildes e que deixassem que uma família nos representasse por esse mundo fora com seriedade, imparcialidade, patriotismo, desinteresse... Gostaria que os portugueses tivessem mais orgulho da sua nação, que não se lembrassem apenas disso quando há campeonatos de futebol...

Para se ser monárquico, há que ser humilde. Acreditem.