domingo, dezembro 30, 2007

Paixões Reais de Eduardo Nobre


Um dos meus presentes de Natal foi o livro Paixões Reais de Eduardo Nobre. Fiquei felicíssimo, pois já há algum tempo que pretendia adquirir um dos volumes, mas tal não se proporcionara.

A leitura é agradável, mas por duas vezes fiquei indignado com o que li! Até perdi o sono! Quero com isto dizer, que não temos de acreditar piamente no que nos é dito no livro, pois não deixa de ser uma interpretação dos factos! E porque há certas coisas que são simplemente impossível de se saber!

Irrita-me ser considerada uma história de amor o casamento entre o Rei D. Fernando II e a cantora lírica Elise Hensler! Ele amava-a, disso não tenho dúvidas, agora ela? Hum... Se ela amasse de facto D. Fernando não teria vendido em lotes todos os objectos que o mesmo andou a coleccionar em vida... Mostrou muito bem o respeito que tinha por ele e a sua dignidade... Poderia muito bem ter recusado receber essa colecção e oferecê-la a Portugal... Ou então que ficasse com ela! Agora vendê-la? Não lhe tinha ficado nada mal... Assim acredito que ela não soubesse o significado de ter honra e de amar alguém. Não lhe bastava receber do Estado Português a venda do palácio e parque da Pena? Não lhe bastava ter-se apropriado de certos objectos e jóias da Família Real Portuguesa? Tudo isto porque D. Fernando assim o permitiu e a contemplou com um testamento de bradar aos céus! D. Pedro V conhecia bem o pai que tinha...

Revoltou-me a presença nesta obra da estória, sem quaisquer provas e com base em documentos falsos, sobre a burlona Maria Pia Laredo - a que se disse um dia ser filha do Rei D. Carlos. O que mais me enervou foi a história ser apresentada como se tivesse sido verdade: "Uma filha natural de Dom Carlos I"... Que fraco rigor histórico... Mas quem é pode acreditar numa suposta carta redigida por D. Carlos, cujo único rasto que se tem é uma transcrição de um notário??? Ainda para mais fac-similada! Poupem-me de tanto disparate! É sem dúvida um deslise que não posso perdoar ao senhor Eduardo Nobre... Mas cada um acredita naquilo que quiser, basta querer...

A última crítica que tenho a fazer é em relação ao Estado Português que permitiu que Nevada Chapman, mulher do Infante D. Afonso (irmão de D. Carlos I), durante o seu exílio (1917), roubasse património nacional!

Com a morte do Infante (1920), essa bandida americana vem a Portugal exigir a sua herança e apesar de não ter sido levado a sério: "Certo é que a viúva do Duque do Porto carregará várias galeras no pátio do palácio da Ajuda, com a herança do seu Querido Afonso - móveis, objectos de arte, pratas e demais recordações, avaliadas à data na comiserável fortuna (afinal estávamos nos anos 20) de um milhão de escudos". Mas como é que podem ter permitido uma coisa destas? Mas quais recordações? Só se fossem da Família Real Portuguesa! Ela nunca, sequer, pisara a Ajuda antes!

Bom, boa leitura...

domingo, dezembro 23, 2007

Confissões de um embriagado


Quero fazer um apontamento sobre a noite de ontem, para a posteridade! A minha presença no Algarve leva-me sempre a uma vida social nocturna mais atribulada! Combinei sair com a Irina, uma amiga, e lá fomos nós para mais uma aventura!

Como sempre, passámos pelo Mitto que estava a abarrotar de gente! Porém foi extremamente divertido, pois encontram-se sempre caras conhecidas! Após muitas conversas, copos e passos de dança, fomos até ao Capítulo V!

Honestamente, não sei como explicar o facto das minhas amigas perderem o cartão! Foi o que aconteceu à pobre Irina! Tínhamos acabado de entrar, deixámos os casacos no bengaleiro, ela foi ao WC e depois quando nos estávamos a dirigir para o balcão ela apercebeu-se que não tinha o cartão!

Correu para ver se tinha caído nos sítios por onde passou e, claro, nem rastos do cartão! Fomos falar com os porteiros e eles responderam que teriamos de esperar pelo final da noite para falarmos com o gerente! Em princípio, a Irina teria de pagar 60 euros pelo cartão e se quisesse consumir teria de fazê-lo no meu cartão!

A pobre Irina sentia que a noite já estava arruinada! Toda a sua boa disposição desvaneceu e evaporou! E é fácil perceber tal acontecimento!

É natural que ela contasse a todas as pessoas conhecidas que encontrámos o que de tão terrível lhe tinha acontecido! Uma dessas pessoas, disse-lhe ter encontrado um cartão mas que o entregara a uma barmaid! Corremos até essa rapariga, o rapaz que encontrara esse cartão falou com a funcionária do estabelecimento nocturno, que era sua conhecida. Infelizmente, o cartão tinha um saldo de quase 50 euros! Mas a barmaid anulou as bebidas e deixou um saldo de 6 euros! Felizmente há pessoas bondosas neste mundo! Fomos relatar o acontecido aos porteiros, omitindo a parte da barmaid ter cancelado algumas bebidas, e eles dizeram que ainda bem! Que não importava se o cartão era o dela ou não! Eu acrescentei que era a prova que Deus existia!

A noite prosseguiu animada com mais conversas, copos e passos de dança! Vi imensa gente conhecida! Tenho ideia da Nuchinha me ter dito que ia viver para os Açores ou para Madeira, mas não tenho a certeza!



Quando estava a regressar a casa sozinho no meu carro, só me lembrei da desgraçada da Paris Hilton quando a coitada havia sido presa por lhe terem confiscado a carta ao conduzir embriagada e por continuar a fazê-lo. Na minha cabeça estava a imagem de Paris Hilton a Chorar...

Quantos de nós não cometemos de disparate de conduzir após uma noite de diversão? É de facto um erro estúpido, mas bastante recorrente! Tive imensa sorte por não ter sido parado pela Polícia, mas poderia ter acontecido! O que aconteceu à Paris Hilton deve servir de exemplo para todos nós! Assim como o de todos aqueles que ficaram com deficiências para toda a vida por cometerem o mesmo erro...

sábado, dezembro 22, 2007

Natalices em Família



Cheguei ontem ao Algarve, o meu querido Reino, que perdeu essa categoria com o malogrado advento da República em 1910... Enfim, é melhor esquecer esses eventos políticos que só têm a importância que lhes quisermos dar. Não concordam sem discordar? Para mim, o meu Algarve será sempre um Reino no meu coração, independentemente do que certos senhores me tentem impingir! Republicanices de mau gosto à parte, falemos então de natalices.

Adoro o Natal, adoro regressar à terra que me viu crescer. Após uma viagem de 3 horas, de sentir todos os músculos tensos e dor nas costas, sentir-me a conduzir em Albufeira é uma sensação totalmente diferente! Recordar cada uma daquelas casas, que me são todas familiares, descobrir as novidades... A decoração de Natal está giríssima! Vou tentar tirar umas fotos para as publicar aqui! Já agora, se tiverem oportunidade, venham beber um copo a Albufeira! Eh! Eh! Eh!

Como é bom abraçar a mãe, a avó, as tias, amigos, todas as pessoas que vivem por cá e que nem sempre estão perto de mim, como em alguns momentos deveriam estar! Por isso adoro o Natal! É o pretexto ideal para vir ao Algarve!

Tirei esta foto há pouco... Achei engraçada a imagem do Sagrado Coração de Maria que está no quarto da minha avó Bárbara Maria!

Boas Festas a todos! :-D

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Música inédita de Madonna



Como estamos em período de festividades e estou muito caridoso, deixo-vos o link para fazerem o download de uma música da Madonna nunca editada (adoro este tipo de raridades). Supostamente deveria ter feito parte do álbum "Bedtime Stories", mas tal não se concretizou. Para os fãs da cantora, e não só, uma bela melodia romântica com um cheirito a Supremes e anos 60: Love Won't Wait! E não espera mesmo!!! Ou é na altura certa, ou então será tarde demais! Ou será que não? Bom, façam o download e depois digam-me qualquer coisa sobre a música! E ainda teimam em dizer que o Pai Natal não existe? Que as renas não existem? Já só falta dizerem que a neve também é imaginação de gente delirante!

http://rapidshare.com/files/70926541/Madonna_-_Love_Won_t_Wait__Original_1994_Demo_.rar

terça-feira, dezembro 18, 2007

Pessoas que se levam demasiado a sério




Quando encontro, ou conheço, pessoas que se levam demasiado a sério fico sempre indeciso e inseguro quanto às atitudes que devo tomar. Toda a minha mente se combate ferozmente entre o achar graça e a indignação.

O achar graça é um sentimento simpático. E creio não ser totalmente disparatado afirmar que as pessoas que se levam demasiado a sério são efectivamente cómicas! Isto, claro está, num primeiro olhar. A indignação surge quando essas pessoas (as que se levam demasiado a sério) não me sabem interpretar, por escassez de falta de humor.

Quem me conhece bem, saberá, apesar de tal nem sempre ser detectável, quando o meu discurso está a ser hiperbolizado para ter um efeito cómico. Há realmente em mim uma veia dramática, herdada provavelmente da cultura grega que influenciou em tempos toda a Europa, através dos romanos.

Sou, certamente, alguém que não se leva muito a sério, porque a vida fica demasiado aborrecida e entediante sem algum humor. As pessoas que levam demasiado a sério, por norma, não sabem o significado deste conceito e poucas vezes entendem ou outros, perdidas e preocupadas com o seu "eu" mais profundo.

As pessoas que se levam demasiado a sério não têm que ser nem bem nem mal educadas! Dentro destas duas espécias humanas encontram-se indivíduos que padecem deste mal. Os psicólogos são unânimes na conclusão que dificilmente estes casos terão cura, nem mesmo com um internamento numa clínica e apoio psiquiátrico, por tratar-se de uma herança genética ou de uma educação deficiente.

E você? Leva-se demasiado a sério?

Andreas Scholl: a mais bela voz da actualidade!



Para quem não conhece, tenho todo o prazer de anunciar Andreas Scholl, uma voz extraordinária que consegue arrepiar-me e tocar a minha alma como mais nenhuma o fez até agora! A ter uma ideia sobre como será a voz de um anjo - esta seria-o seguramente!

Biografia:

Nascido na Alemanha, Andreas Sholl iniciou a sua educação musical no Coro Infantil de Kiedrichen. Entre 1987 e 1993 estudou com Richard Levitt e René Jacobs na Schola Cantorum Basiliensis, onde se diplomou em Música Antiga. Em 1992 foi bolseiro do Conselho da Europa e da Fundação Calude Nicolas Ledoux, sendo também diplomado pela Fundação Ernst Göhner e pela Associação Migros. Em 1999 recebeu o Prémio Echo e o Prémio da União da Imprensa Musical Belga. Em 2002 recebeu o Prémio Edison, na categoria Idade Média/Renascença, pela gravação de A Musicall Banquet. Ganhou de novo o Prémio Echo em 2005 pela sua selecção musical para audiolivro da Deutsche Grammophon sobre as histórias de Hans Cristian Andersen.

Fonte: http://www.musica.gulbenkian.pt/?cgi-bin/wnp_db_dynamic_record.pl?dn=db_musica_biographies_pt&sn=musica&orn=7


Lully e Molière: Le Bourgeois Gentilhomme


Hoje, um amigo relembrou-me o quão fascinante é a obra de Jean-Baptiste Lully! Como lhe estou grato por isso! É bom estar a (re)descobrir a obra deste grande talento, que nos torna a todos pequenos em talento e mestria! Por norma, essas virtudes não são utilizadas de modo construtivo para humanidade! Há quem prefira simplesmente criticar a produzir algo de eternamente belo! A arte transcende a vida e o tempo, cabe-nos a nós usufruir, ou não, dos legados deixados pelos grandes e verdadeiros artistas...

Não poderei deixar de partilhar mais este video fantástico que descobri!!!



Cantores:
Francois-Nicolas Geslot (ten)
Arnaud Marzorati (bar)
Claire Lefilliâtre (sop)
Conductor: Vincent Dumestre
Ensemble: Le Poème Harmonique
Director: Benjamin Lazar

Jean-Baptiste Lully



O grande mestre que encantou Luís XIV:

Jean-Baptiste Lully

GENIAL!



Jean-Baptiste Lully, originalmente Giovanni Battista Lulli (Florença, 28 de novembro de 1632 – Paris, 22 de março de 1687), foi um compositor francês de origem italiana, que passou a maior parte de sua vida trabalhando na corte de Luís XIV de França e cujo estilo de composição foi largamente imitado na Europa. Casou-se com Madeleine Lambert, filha do compositor Michel Lambert, naturalizando-se francês em 1661.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean-Baptiste_Lully

Le Roi Danse!!!

Tal como o Rei Luís XIV, também gosto muito de dançar! De quando em vez, sabe bem esquecer todas as arreliações, conflitos e temeridades!

domingo, fevereiro 04, 2007

Resposta a um anónimo...


Antes de mais, quero dizer que assumo tudo aquilo que digo e penso, que não me escondo atrás de um nickname. Quer no meu blog, quer no netcafé@monarquia, os membros têm acesso a dados pessoais e sabem quem sou.

Faço aqui o desafio a todos aqueles que têm opiniões diferentes relativamente à sucessão que o façam também, que se assumam, pois de outro modo não me parece que os possa levar em consideração. Todavia, se me vou dar ao trabalho de responder a uma mensagem que recebi (sim, para mim é um trabalho, pois já tenho esse assunto resolvido na minha cabeça há algum tempo) é apenas com o objectivo de tomar partido da minha Causa e do direito à resposta que semelhante site merece.

Quero também esclarecer todos os cibernautas que não sou herdeiro de nenhum título nobiliárquico, que sou monárquico por pura convicção política, social e cultural.

Receio não conseguir expressar da melhor forma tudo o que penso acerca desta questão, dada a sua complexidade, assim como não ter como provar todas as minhas afirmações, pois tal requer tempo para fazer investigação. Trabalho, estudo e tenho vida pessoal, portanto uma argumentação mais criteriosa e credível só terá lugar no futuro, mas que farei com toda a certeza.

Cresci num ambiente de republicanos, apesar da minha mãe sempre ter tido interesse em personagens femininas da história na sua maioria com finais trágicos e da realeza (Cleópatra, Marie Antoinette, Carlota do México, Madame de Montespan, Vitória de Inglaterra, Ana Bolena, etc, etc.) e o meu pai por filósofos clássicos (Aristóteles e Platão) e a Bíblia. Cresci num ambiente onde sempre se discutiram todo o tipo de temas, sem tabus nem preconceitos. Como sempre fui curioso, por vezes fazia questões que os meus pais encontravam dificuldades em responder. Sempre senti necessidade de aprender mais sobre o mundo que me cerca e qual o meu papel neste planeta pertencente a uma galáxia com cerca de quinze mil milhões de anos, na qual me sinto insignificante.

Inexplicavelmente, sempre senti uma atracção enorme pela figura do Monarca, e em criança ficava triste por já não termos reis. Com o passar dos anos fui-me informando acerca do tema, mas sempre com alguns complexos, que creio grande parte dos portugueses também sentirem, diria até algum embaraço em assumirem-se como monárquicos. Recordo-me de um trabalho que apresentei na Universidade da Beira Interior, onde estudei Língua e Cultura Portuguesas, sobre a Monarquia Portuguesa, no qual defendi a Instituição, mas sem querer assumir-me como monárquico (na época não me reconhecia como tal), o que provocou uma reacção algo agressiva pelo meu professor que é inquestionavelmente republicano e que não compreendia como poderia eu ser republicano se estava a defender a monarquia. Pouco a pouco é como se estive próximo de descobrir a minha identidade, que também representa um enigma para mim, apesar de cada vez tudo parecer fazer mais sentido.

Tal como a maioria dos portugueses, não tinha uma boa impressão sobre o D. Duarte, porque realmente a imagem que é passada da sua pessoa não é muito positiva pelos meios de comunicação, que só divulgam o que lhes parece ter interesse. Ao tomar conhecimento de outros possíveis pretendentes ao trono português (na eventualidade de existir uma alteração de regime, que acredito não acontecer nos próximos anos, mas que não coloco de parte num futuro mais longínquo, apesar de encarar esse mesmo futuro como uma grande incerteza na medida em que o passado já nos ensinou que o que é uma garantia num dia pode não ser no dia seguinte), informei-me sobre eles, assim como aprofundei os meus conhecimentos sobre o D. Duarte. Creio que neste momento não é necessário reafirmar que o meu apoio vai incondicionalmente para o D. Duarte, após todo esse período de reflexão e investigação. Tal é verdade, que só tomei a decisão de oficializar esse meu apoio na Real Associação de Lisboa em Setembro de 2006. Uma decisão absolutamente consciente e ponderada. Por esse motivo, ao ter criado com uma amiga o netcafé@monarquia ficou de imediato decidido que a questão da sucessão já estava mais que resolvida para ambos e como tal sem necessidade de ser debatida, tal como acontece noutros espaço da Internet, que têm todo o direito de o fazer. A questão da sucessão muito honestamente já me cansa e consegue enervar-me actualmente, porque parece que não há outras questões mais sérias a serem debatidas. De qualquer modo, quero expressar-me sobre este assunto no meu blog.

Vou começar, então, por dizer o que penso do site que me foi recomendado por um cibernauta anónimo: http://www.reifazdeconta.pt.vu/ que me enviou uma mensagem.

Como ponto de partida, começo já pelo próprio nome do site, que revela uma enorme falta de ética política fazer-se campanha denegrindo a imagem de outras pessoas. Não sendo suficientes os ataques directos ao D. Duarte, figuras da história como a D. Carlota Joaquina são tratadas com a maior falta de respeito com bases em fontes pouco seguras, colocando em causa directamente a paternidade de D. Miguel e indirectamente a de D. Ana de Jesus Maria, o que a meu ver pouco interesse tem para a actualidade. Relembro que a calúnia e o boato sempre foram uma prática bastante frequente. E pior que tudo, ninguém sabe de onde veio, nem como começou, mas a verdade é que provoca danos irreparáveis. Marie Antoinette também foi severamente caluniada pela oposição, pela qual foi acusada no seu julgamento de práticas lésbicas e de incesto com os filhos… Ora, o que me interessa a mim a vida sexual da D. Carlota Joaquina? Se D. Pedro IV jamais evocou esse argumento, por que o fazem agora? É essa fantástica descoberta que vai resolver o problema do desemprego em Portugal? O da Educação e miséria em que vivem muitos portugueses? O da estranha crise económica que só afecta alguns?

Em verdade, o que é pretendido com este site, de muito mau gosto, é divulgar um senhor italiano que dá pela bonita graça de Rosário.

Antes de mais, quero dizer que não senti qualquer imparcialidade, por parte do autor dos textos, no que me foi apresentado. Se por um lado D. Duarte é acusado várias vezes, e severamente, de ser estrangeiro, sendo evocadas tramitações burocráticas, por outro esse problema parece ser resolvido quando é referido o tal Rosário, bastando haver uma vontade dos portugueses... Se há ponto que não coloco em causa é a nacionalidade e patriotismo do Senhor D. Duarte! Aliás, é bastante conhecedor de tudo o que é português e defende sempre o que é nosso, o que não acontece com muitos dos políticos destas últimas décadas, que se curvam em Bruxelas! Não cumpriu D. Duarte o serviço militar? Alguém questionou em Portugal a nacionalidade portuguesa do futebolista Deco?

Quero ainda aqui afirmar que não acredito que a Maria Pia fosse filha do Rei D. Carlos, e considero aquele documento um verdadeiro absurdo e que qualquer pessoa entendida se apercebe que D. Carlos jamais assinaria tal documento, por respeito aos seus filhos e à Rainha D. Amélia, mesmo a ser verdade que era filha dele. O autor daquele site viperino, não teve os mesmos critérios críticos e analíticos quando referiu o caso Maria Pia. Aliás, do mesmo modo que D. Manuel II não tinha autoridade para reconhecer como seu sucessor D. Duarte Nuno no caso de não deixar descendência (o que torna o Pacto de Dover irrelevante), não me parece que a Maria Pia o pudesse fazer com o Rosário. Afinal, ele nem filho dela é. Certo? E, por último, essa senhora quis ser cremada, o que deita por terra qualquer possibilidade de provar que era efectivamente filha de um Rei português.

Não irei andar a pronunciar-me mais no meu blog sobre uma questão que é bem mais complexa do que parece ser. Se há coisa com a qual não me maço muito é a de transportar para o presente mesquinhices políticas do passado. Não é desse modo que funciono racionalmente. Não acho por bem ser acusado por actos cometidos nem pelo pai, quanto mais por actos praticados por avós ou bisavós! Como tal, não faço o mesmo aos outros. Achei muito indelicado a D. Isabel e a sua família serem referidas no site em questão. Quanto não há o que acusar de certas pessoas, recorre-se a uma argumentação agressiva, injusta e desactualizada... A Humanidade, felizmente, já evoluiu bastante na sua forma de julgar “o outro”, apesar de ainda haver um longo percurso a ser feito.

Após todo o período em que andei a investigar sobre todos eles, acabei por concluir que o melhor modo de analisar toda a questão seria, então, de partir do complexo para o simples, e não o inverso, resumindo a questão da sucessão em três questões:

- Quem são os pretendentes ao trono português?

- Qual deles consegue ser um símbolo da Família Real Portuguesa e da Nossa História actualmente?

- Qual deles é reconhecido pelas restantes famílias reais?

Cada um é livre de pensar o que quiser e de tomar a decisão que considerar mais acertada. Não tenho quaisquer dúvidas em considerar o D. Duarte como o legítimo herdeiro e representante da Casa Real Portuguesa. Os motivos são óbvios:

- É bisneto de um Rei (se foi realista, liberal, mulherengo ou gay, não tem qualquer peso no presente, na minha opinião). A meu ver, a figura de um Rei, quando destituída de toda uma ascendência, parece-me sem sentido, pois a figura de um Rei nos dias actuais é essencialmente simbólica e representativa. Uma figura real que não tenha um passado, aniquila a própria razão de ser da Monarquia.

- É defensor da tradição e valores portugueses (considero-me um jovem algo irreverente e polémico, contudo, acho que um Rei deve ser conservador e ter a função de defender a Identidade de um país, as suas tradições, a arquitectura tradicional, etc., tal como se fosse um vigilante activo e permanente de Portugal). Confesso que o que mais me incomoda no sistema republicano é o entra sai de gente no poder, creio que já basta isso acontecer no Parlamento, não se justifica que o cargo máximo de uma Nação seja pertença dos partidos políticos. Lamentavelmente, Portugal tem estado à disposição dos dois maiores partidos. Os pequenos partidos lembram-me sempre o provérbio que diz: “Os cães ladram e a caravana passa”. E deixai a caravana passar, o símbolo perfeito do que é a Democracia portuguesa. Um Rei, representa para mim um Poder alternativo e um Poder efectivo que será sempre responsabilizado pelos seus actos, pois não pode reformar-se. Estará sempre lá. As actuais monarquias europeias, apesar dos escândalos, têm dado provas que são referências nacionais. Os portugueses ainda andam iludidos com os benefícios da República. Vamos ver, até quando…

Portanto, caro anónimo, se pensa que descobriu a roda, lamento desanpontá-lo, mas já foi inventada!


Viva D. Duarte! Viva a Família Real!