domingo, fevereiro 04, 2007

Resposta a um anónimo...


Antes de mais, quero dizer que assumo tudo aquilo que digo e penso, que não me escondo atrás de um nickname. Quer no meu blog, quer no netcafé@monarquia, os membros têm acesso a dados pessoais e sabem quem sou.

Faço aqui o desafio a todos aqueles que têm opiniões diferentes relativamente à sucessão que o façam também, que se assumam, pois de outro modo não me parece que os possa levar em consideração. Todavia, se me vou dar ao trabalho de responder a uma mensagem que recebi (sim, para mim é um trabalho, pois já tenho esse assunto resolvido na minha cabeça há algum tempo) é apenas com o objectivo de tomar partido da minha Causa e do direito à resposta que semelhante site merece.

Quero também esclarecer todos os cibernautas que não sou herdeiro de nenhum título nobiliárquico, que sou monárquico por pura convicção política, social e cultural.

Receio não conseguir expressar da melhor forma tudo o que penso acerca desta questão, dada a sua complexidade, assim como não ter como provar todas as minhas afirmações, pois tal requer tempo para fazer investigação. Trabalho, estudo e tenho vida pessoal, portanto uma argumentação mais criteriosa e credível só terá lugar no futuro, mas que farei com toda a certeza.

Cresci num ambiente de republicanos, apesar da minha mãe sempre ter tido interesse em personagens femininas da história na sua maioria com finais trágicos e da realeza (Cleópatra, Marie Antoinette, Carlota do México, Madame de Montespan, Vitória de Inglaterra, Ana Bolena, etc, etc.) e o meu pai por filósofos clássicos (Aristóteles e Platão) e a Bíblia. Cresci num ambiente onde sempre se discutiram todo o tipo de temas, sem tabus nem preconceitos. Como sempre fui curioso, por vezes fazia questões que os meus pais encontravam dificuldades em responder. Sempre senti necessidade de aprender mais sobre o mundo que me cerca e qual o meu papel neste planeta pertencente a uma galáxia com cerca de quinze mil milhões de anos, na qual me sinto insignificante.

Inexplicavelmente, sempre senti uma atracção enorme pela figura do Monarca, e em criança ficava triste por já não termos reis. Com o passar dos anos fui-me informando acerca do tema, mas sempre com alguns complexos, que creio grande parte dos portugueses também sentirem, diria até algum embaraço em assumirem-se como monárquicos. Recordo-me de um trabalho que apresentei na Universidade da Beira Interior, onde estudei Língua e Cultura Portuguesas, sobre a Monarquia Portuguesa, no qual defendi a Instituição, mas sem querer assumir-me como monárquico (na época não me reconhecia como tal), o que provocou uma reacção algo agressiva pelo meu professor que é inquestionavelmente republicano e que não compreendia como poderia eu ser republicano se estava a defender a monarquia. Pouco a pouco é como se estive próximo de descobrir a minha identidade, que também representa um enigma para mim, apesar de cada vez tudo parecer fazer mais sentido.

Tal como a maioria dos portugueses, não tinha uma boa impressão sobre o D. Duarte, porque realmente a imagem que é passada da sua pessoa não é muito positiva pelos meios de comunicação, que só divulgam o que lhes parece ter interesse. Ao tomar conhecimento de outros possíveis pretendentes ao trono português (na eventualidade de existir uma alteração de regime, que acredito não acontecer nos próximos anos, mas que não coloco de parte num futuro mais longínquo, apesar de encarar esse mesmo futuro como uma grande incerteza na medida em que o passado já nos ensinou que o que é uma garantia num dia pode não ser no dia seguinte), informei-me sobre eles, assim como aprofundei os meus conhecimentos sobre o D. Duarte. Creio que neste momento não é necessário reafirmar que o meu apoio vai incondicionalmente para o D. Duarte, após todo esse período de reflexão e investigação. Tal é verdade, que só tomei a decisão de oficializar esse meu apoio na Real Associação de Lisboa em Setembro de 2006. Uma decisão absolutamente consciente e ponderada. Por esse motivo, ao ter criado com uma amiga o netcafé@monarquia ficou de imediato decidido que a questão da sucessão já estava mais que resolvida para ambos e como tal sem necessidade de ser debatida, tal como acontece noutros espaço da Internet, que têm todo o direito de o fazer. A questão da sucessão muito honestamente já me cansa e consegue enervar-me actualmente, porque parece que não há outras questões mais sérias a serem debatidas. De qualquer modo, quero expressar-me sobre este assunto no meu blog.

Vou começar, então, por dizer o que penso do site que me foi recomendado por um cibernauta anónimo: http://www.reifazdeconta.pt.vu/ que me enviou uma mensagem.

Como ponto de partida, começo já pelo próprio nome do site, que revela uma enorme falta de ética política fazer-se campanha denegrindo a imagem de outras pessoas. Não sendo suficientes os ataques directos ao D. Duarte, figuras da história como a D. Carlota Joaquina são tratadas com a maior falta de respeito com bases em fontes pouco seguras, colocando em causa directamente a paternidade de D. Miguel e indirectamente a de D. Ana de Jesus Maria, o que a meu ver pouco interesse tem para a actualidade. Relembro que a calúnia e o boato sempre foram uma prática bastante frequente. E pior que tudo, ninguém sabe de onde veio, nem como começou, mas a verdade é que provoca danos irreparáveis. Marie Antoinette também foi severamente caluniada pela oposição, pela qual foi acusada no seu julgamento de práticas lésbicas e de incesto com os filhos… Ora, o que me interessa a mim a vida sexual da D. Carlota Joaquina? Se D. Pedro IV jamais evocou esse argumento, por que o fazem agora? É essa fantástica descoberta que vai resolver o problema do desemprego em Portugal? O da Educação e miséria em que vivem muitos portugueses? O da estranha crise económica que só afecta alguns?

Em verdade, o que é pretendido com este site, de muito mau gosto, é divulgar um senhor italiano que dá pela bonita graça de Rosário.

Antes de mais, quero dizer que não senti qualquer imparcialidade, por parte do autor dos textos, no que me foi apresentado. Se por um lado D. Duarte é acusado várias vezes, e severamente, de ser estrangeiro, sendo evocadas tramitações burocráticas, por outro esse problema parece ser resolvido quando é referido o tal Rosário, bastando haver uma vontade dos portugueses... Se há ponto que não coloco em causa é a nacionalidade e patriotismo do Senhor D. Duarte! Aliás, é bastante conhecedor de tudo o que é português e defende sempre o que é nosso, o que não acontece com muitos dos políticos destas últimas décadas, que se curvam em Bruxelas! Não cumpriu D. Duarte o serviço militar? Alguém questionou em Portugal a nacionalidade portuguesa do futebolista Deco?

Quero ainda aqui afirmar que não acredito que a Maria Pia fosse filha do Rei D. Carlos, e considero aquele documento um verdadeiro absurdo e que qualquer pessoa entendida se apercebe que D. Carlos jamais assinaria tal documento, por respeito aos seus filhos e à Rainha D. Amélia, mesmo a ser verdade que era filha dele. O autor daquele site viperino, não teve os mesmos critérios críticos e analíticos quando referiu o caso Maria Pia. Aliás, do mesmo modo que D. Manuel II não tinha autoridade para reconhecer como seu sucessor D. Duarte Nuno no caso de não deixar descendência (o que torna o Pacto de Dover irrelevante), não me parece que a Maria Pia o pudesse fazer com o Rosário. Afinal, ele nem filho dela é. Certo? E, por último, essa senhora quis ser cremada, o que deita por terra qualquer possibilidade de provar que era efectivamente filha de um Rei português.

Não irei andar a pronunciar-me mais no meu blog sobre uma questão que é bem mais complexa do que parece ser. Se há coisa com a qual não me maço muito é a de transportar para o presente mesquinhices políticas do passado. Não é desse modo que funciono racionalmente. Não acho por bem ser acusado por actos cometidos nem pelo pai, quanto mais por actos praticados por avós ou bisavós! Como tal, não faço o mesmo aos outros. Achei muito indelicado a D. Isabel e a sua família serem referidas no site em questão. Quanto não há o que acusar de certas pessoas, recorre-se a uma argumentação agressiva, injusta e desactualizada... A Humanidade, felizmente, já evoluiu bastante na sua forma de julgar “o outro”, apesar de ainda haver um longo percurso a ser feito.

Após todo o período em que andei a investigar sobre todos eles, acabei por concluir que o melhor modo de analisar toda a questão seria, então, de partir do complexo para o simples, e não o inverso, resumindo a questão da sucessão em três questões:

- Quem são os pretendentes ao trono português?

- Qual deles consegue ser um símbolo da Família Real Portuguesa e da Nossa História actualmente?

- Qual deles é reconhecido pelas restantes famílias reais?

Cada um é livre de pensar o que quiser e de tomar a decisão que considerar mais acertada. Não tenho quaisquer dúvidas em considerar o D. Duarte como o legítimo herdeiro e representante da Casa Real Portuguesa. Os motivos são óbvios:

- É bisneto de um Rei (se foi realista, liberal, mulherengo ou gay, não tem qualquer peso no presente, na minha opinião). A meu ver, a figura de um Rei, quando destituída de toda uma ascendência, parece-me sem sentido, pois a figura de um Rei nos dias actuais é essencialmente simbólica e representativa. Uma figura real que não tenha um passado, aniquila a própria razão de ser da Monarquia.

- É defensor da tradição e valores portugueses (considero-me um jovem algo irreverente e polémico, contudo, acho que um Rei deve ser conservador e ter a função de defender a Identidade de um país, as suas tradições, a arquitectura tradicional, etc., tal como se fosse um vigilante activo e permanente de Portugal). Confesso que o que mais me incomoda no sistema republicano é o entra sai de gente no poder, creio que já basta isso acontecer no Parlamento, não se justifica que o cargo máximo de uma Nação seja pertença dos partidos políticos. Lamentavelmente, Portugal tem estado à disposição dos dois maiores partidos. Os pequenos partidos lembram-me sempre o provérbio que diz: “Os cães ladram e a caravana passa”. E deixai a caravana passar, o símbolo perfeito do que é a Democracia portuguesa. Um Rei, representa para mim um Poder alternativo e um Poder efectivo que será sempre responsabilizado pelos seus actos, pois não pode reformar-se. Estará sempre lá. As actuais monarquias europeias, apesar dos escândalos, têm dado provas que são referências nacionais. Os portugueses ainda andam iludidos com os benefícios da República. Vamos ver, até quando…

Portanto, caro anónimo, se pensa que descobriu a roda, lamento desanpontá-lo, mas já foi inventada!


Viva D. Duarte! Viva a Família Real!